Dono de pet shop sofre na mão de tosador porque quer

Sou Enio Rodrigues, gestor de uma plataforma de contratação de tosadores, e o que mais ouço no meu dia a dia são reclamações de donos de pet shops sobre a dificuldade de recrutar e reter profissionais de banho e tosa.

As queixas são quase sempre as mesmas:

  • Profissionais que agendam entrevistas e não comparecem;
  • Atrasos constantes e falta de comprometimento;
  • Insubordinação e atritos com o restante da equipe;
  • Pedidos de demissão seguidos de processos trabalhistas com alegações distorcidas para inflar a rescisão.

A verdade nua e crua é uma só: esse cenário não vai mudar. Na gestão de qualquer negócio, cabe à empresa adaptar-se à realidade do mercado, e não o contrário. Essa mesma dificuldade que apavora muitos gestores gera grandes oportunidades. É um cenário excelente para quem é ágil e se adapta, mas devastador para quem é reativo.

Precisamos encarar os fatos: os melhores profissionais estão sendo recrutados pelas melhores lojas, atraídos por salários mais altos. O preço de um bom tosador subiu. Atualmente, é ilusão pensar que se pode manter um profissional de alto nível por menos de R$ 4.000,00 mensais.

Quem aceita ganhar menos do que isso, geralmente, é o profissional acomodado e cheio de vícios de postura. Como a demanda do mercado é gigantesca, ele sabe que, se pedir demissão hoje, amanhã haverá uma fila de pet shops querendo contratá-lo. Ciente dessa facilidade, ele relaxa na qualidade, perde a postura e, diante da menor contrariedade, pede as contas — isso quando não faz “corpo mole” para forçar uma demissão sem justa causa.

Por outro lado, os tosadores ambiciosos já entenderam o jogo. Eles sabem que, para acessar os melhores empregos, precisam se qualificar, manter uma postura ética e buscar evolução constante em suas técnicas.

O pet shop que decide pagar salários acima de R$ 4.000,00 inverte a dinâmica do problema. Essa loja não fica correndo atrás de mão de obra; são os tosadores que fazem fila para conseguir uma vaga nela. Com isso, o empresário ganha o poder de escolher o melhor candidato. Além disso, essa empresa estruturada faz o básico de um RH eficiente: realiza entrevistas de perfil e liga para os últimos três empregadores para checar o histórico do profissional.

O custo dessa mão de obra qualificada não gira mais na casa dos 2 ou 3 mil reais. Resta ao proprietário do pet shop aceitar a nova realidade e repassar esse custo adicional para o preço final do serviço.

Sei que aumentar preços nunca é uma tarefa fácil. No entanto, é preciso pensar como uma grande empresa: se não há lucro, não há negócio. Se o preço cobrado não cobre os custos operacionais com uma margem saudável, a operação se torna inviável.

Sempre existirão concorrentes cobrando mais barato, mas há outro fator que está transformando o mercado e sufocando quem briga por preço: o avanço agressivo das grandes redes de pet shops. Elas estão educando o consumidor a exigir um serviço de excelência, possuem uma gestão impecável e uma capacidade de investimento que os pequenos não conseguem acompanhar.

Diante disso, restam apenas três caminhos para os pet shops independentes: aderir a uma franquia/rede, implantar um choque de gestão imediato ou fechar as portas.

Resumindo: pare de sofrer por escolhas que você mesmo faz. Ajuste a sua realidade ao novo patamar do mercado, aceite que um bom tosador custa mais de R$ 4.000,00, recalcule seus preços e mude o nível do seu negócio.

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