Erro que anula a chance do tosador conquistar uma vaga de emprego.

Como gestor de uma plataforma de vagas especializada para tosadores, converso diariamente com grandes redes de pet shops. São empresas que oferecem as melhores oportunidades do mercado: salários atrativos, benefícios reais, ótimas condições de trabalho e um plano de carreira sólido.

Porém, quando anuncio essas vagas e peço o currículo dos candidatos, a resposta que mais escuto é de arrepiar os cabelos: “Não tenho currículo”. Logo em seguida, muitos começam a inundar meu celular com dezenas de fotos de tosas.

Se você age assim, preciso te dar um alerta real: o mercado mudou e essa postura está fechando as portas da sua carreira.

O fim do amadorismo nos processos seletivos

Sabemos que muitos profissionais se acostumaram com a dinâmica de pet shops pequenos de bairro. Nessas lojas, os processos costumam ser informais. Muitas vezes, o dono está desesperado porque o tosador anterior sumiu da noite para o dia, e ele aceita qualquer um que saiba segurar uma máquina para não perder os clientes do dia seguinte.

Nas grandes redes, a realidade é completamente diferente. O mercado de lojas independentes e informais está encolhendo, dando lugar a grandes corporações. E essas empresas possuem um departamento de Recursos Humanos (RH) estruturado, que segue processos rigorosos.

Quando o seu primeiro contato com um recrutador corporativo é dizer que não tem um currículo, você perde a vaga na hora por três motivos principais:

  1. Falta de etiqueta corporativa: Mostra que você não conhece as regras básicas do mundo profissional.
  2. Falta de interesse: Demonstra que você não quis dedicar 10 minutos para estruturar sua história profissional.
  3. Inutilidade das fotos: O profissional de RH analisa dados técnicos e comportamentais. Ele provavelmente não entende de linhas de tosa e não saberá avaliar se o seu trabalho técnico está perfeito apenas olhando uma foto na tela do celular. Lota-lo de imagens sem autorização só vai irritá-lo.

Se quiser enviar seu portfólio, tenha bom senso e pergunte antes: “Gostaria que eu enviasse fotos dos meus trabalhos anteriores?”.

A sua reputação vale mais do que a sua técnica

Para o RH das grandes empresas, o seu comportamento e a sua ética pesam tanto (ou mais) que a sua habilidade com a tesoura. Antes mesmo de testarem sua tosa, os recrutadores farão duas checagens fundamentais:

1. Referências dos antigos empregos

O RH vai ligar para os seus últimos três empregadores. Se as referências forem negativas, ou se descobrirem que você abandonou o plantão sem avisar, seu currículo vai direto para o lixo.

Deixe as portas abertas por onde passar. Mesmo que a empresa atual seja ruim, não se torne um funcionário relaxado. Não nivele o seu profissionalismo por baixo. Saia pela porta da frente. A empresa pode até ser ruim, mas você precisa ser excelente.

2. Histórico na Justiça do Trabalho

As empresas consultam processos trabalhistas. Obviamente, se uma loja antiga descumpriu leis de forma grave, buscar seus direitos é legítimo. O problema são os exageros. Os empregadores experientes sabem ler um processo e identificar mentiras inventadas para inflar rescisões (como falsas horas extras, duplas funções inexistentes ou danos morais forçados).

Nenhuma grande rede coloca para dentro uma pessoa desonesta, pois sabem que ela repetirá o comportamento no futuro.

O diagnóstico dos novos tempos

Para nós, que selecionamos profissionais, essa falta de preparo acaba sendo um filtro natural para separar quem parou no tempo daqueles que estão prontos para os novos tempos da estética animal.

Se você quer os empregos que realmente valem a pena, mude sua postura hoje mesmo. Monte seu currículo, cuide da sua postura ética e trate a sua carreira como o negócio valioso que ela é.

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