Exitem cães gays?

Não é raro vermos cães machos montando em outros machos e inevitavelmente vem um pensamento de não normalidade. Alguns tutores até sentem-se constrangidos ao ver seu cão fazendo isso.

Para nós que trabalhamos com cães é importante abordar essa questão tecnicamente. Afinal somos os especialistas mais próximos dos tutores os quais eles nos têm como conselheiros. Caso algum tutor perguntar sobre o que fazer, devemos saber como tratar o assunto. Principalmente tosadores, veterinários, proprietários de pet shops e também monitores de cães que trabalham em hotelzinho e creche pet. Esses ainda mais, porque lidam com cães soltos interagindo com outros e não é raro isso acontecer.

Cientistas e veterinários explicam que os cães não têm conceitos de “heterossexualidade” ou “homossexualidade” voltados para a identidade ou orientação afetiva. No entanto, a prática de atos sexuais ou de simulação com indivíduos do mesmo sexo é amplamente documentada na espécie e faz parte do comportamento natural canino

Se estamos falando estritamente da prática do ato sexual, da atração física e de ereções entre cães do mesmo sexo, a resposta científica continua sendo sim: os cães praticam o ato homossexual por prazer e atração fluida.

Para a biologia, a diferença crucial entre cães e humanos está no conceito de “identidade”. Um cão não se “identifica” como homossexual, mas ele pode se engajar ativamente em práticas homossexuais e bissexuais. Estudos de comportamento animal detalham como isso funciona na prática:

Como funciona a prática homossexual real entre cães?

Atração baseada em cheiros (Feromônios): Cães são guiados pelo olfato. Estudos mostram que alguns machos emitem sinais químicos (semioquímicos) involuntários que são altamente atraentes para outros machos. Isso desperta um interesse sexual real, com direito a lambidas genitais, cortejo e ereção.

Fluidez e Bissexualidade: A maioria dos cientistas aponta que os cães são, na verdade, sociosexuais ou bissexuais fluidos. Eles não são rigidamente focados em um único gênero. Na ausência de fêmeas no cio (ou mesmo na presença delas), eles escolhem parceiros do mesmo sexo puramente por afinidade, estímulo e busca de prazer físico.

Comportamento documentado: Pesquisas de campo que monitoraram matilhas de cães errantes e ferais (como um famoso estudo de longo prazo realizado com centenas de cães de rua na Índia) registraram que interações sexuais completas entre indivíduos do mesmo sexo ocorrem de forma espontânea e frequente, tanto entre machos quanto entre fêmeas.

Parcerias de preferência: Tutores de múltiplos cães e profissionais de creches caninas frequentemente relatam cães do mesmo sexo que criam um vínculo afetivo e físico tão forte que ignoram outros cães, escolhendo dormir juntos, lamber-se mútua e intimamente e praticar atos sexuais exclusivamente entre si.

Resumo científico

Se por “homossexualidade” você se refere a sentir atração física por outro cão do mesmo sexo, cortejá-lo, excitá-lo e praticar o ato sexual com ele por prazer, isso é totalmente real, comum e documentado na espécie canina. Eles fazem isso simplesmente porque gostam e porque faz parte da sua natureza sociosexual

Devemos reprimir o cão?

Você não deve reprimir ou punir o seu cão por esse comportamento. Como se trata de um hábito natural da espécie, o castigo pode gerar ansiedade, medo e até agressividade.

A intervenção só é necessária se o ato estiver causando problemas de convivência ou estresse.

Quando e como agir

  • Avalie o contexto antes de decidir se deve redirecionar a atenção do seu cão:
  • Se ambos os cães aceitam: Se for apenas uma brincadeira rápida e consensual entre eles, não faça nada e deixe-os interagir.
  • Se o outro cão rejeita: Se o parceiro mostrar incômodo, rosnar ou tentar fugir, intervenha calmamente para evitar brigas.
  • Se o cão parece obcecado: Se o comportamento for obsessivo, pode ser sinal de ansiedade, tédio ou excesso de energia acumulada.

Como redirecionar o comportamento de forma positiva

  • Em vez de brigar ou gritar, utilize técnicas de adestramento positivo:
  • Distraia o cão: Chame-o pelo nome com entusiasmo ou use um brinquedo com som assim que ele começar a montar.
  • Gaste energia: Aumente a frequência de passeios diários e adicione desafios físicos e mentais à rotina dele.
  • Ensine comandos: Treine comandos básicos como “senta”, “deita” ou “fica” para interromper a ação e recompensar o autocontrole.
  • Considere a castração: Se o comportamento for puramente hormonal e frequente, converse com um veterinário sobre a castração, que costuma reduzir esse impulso.

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