Tosador protestou a empresa anterior. Isso gera problema?

Muitos tosadores têm essa dúvida. Afinal, buscar os seus direitos na Justiça pode fechar as portas do mercado de trabalho?

Legalmente falando, deixar de contratar um candidato porque ele moveu um processo contra um empregador anterior é considerado discriminação pré-contratual. Isso viola a legislação trabalhista e pode gerar punições graves para a empresa.

No entanto, na realidade do dia a dia, a teoria é bem diferente da prática. Existe uma linha tênue entre buscar um direito legítimo e cometer abusos que podem, sim, queimar o seu filme no mercado. Entenda como isso funciona na prática:

O desafio de provar a discriminação

Em primeiro lugar, é extremamente difícil comprovar que uma empresa recusou um candidato por causa de um processo anterior. O maior obstáculo é a prova. As empresas raramente assumem por escrito o real motivo da rejeição. Na grande maioria das vezes, elas apenas enviam aquela resposta padrão: “Infelizmente, encontramos outro profissional com o perfil mais adequado para a vaga”.

O risco dos processos “inflados” e das mentiras

Quando uma empresa deixa de cumprir suas obrigações básicas (como pagar comissão, atrasar salários ou não assinar a carteira), é totalmente legítimo recorrer à Justiça do Trabalho. O problema começa quando há abusos nitidamente inventados apenas para tentar “engordar” a rescisão.

Infelizmente, tornou-se comum ver processos trabalhistas cheios de exageros. Alguns profissionais, às vezes mal orientados, aceitam colocar inverdades na ação judicial. É preciso lembrar o óbvio: mentir diante de um juiz é crime de falso testemunho.

No mercado pet, um exemplo clássico de exagero é o acúmulo de função. Um tosador que, após terminar o banho e tosa, passa uma vassoura no seu próprio local de trabalho, não está acumulando função de faxineiro — está mantendo a higiene do seu ambiente de trabalho. Entrar na justiça exigindo um salário extra por isso é visto pelo mercado como má-fé.

O que os donos de pet shop pensam?

O mercado pet é muito conectado e os empresários conversam entre si. Quando um empregador vê um processo cheio de pequenos exageros, a conclusão dele é imediata: “Se esse profissional aceitou a rotina do dia a dia e, depois que saiu, tentou distorcer os fatos para ganhar dinheiro, ele vai fazer o mesmo comigo”. Nenhuma empresa quer contratar um risco ambulante.

Hoje em dia, é muito fácil consultar o histórico de processos de qualquer pessoa na internet. Além disso, antes de fechar a contratação, é de praxe que o RH ou o dono do pet shop ligue para os seus antigos patrões para pedir referências. Se você saiu deixando um processo injusto ou exagerado, o antigo empregador certamente vai relatar isso.

A consequência real para a sua carreira

Se você tem processos trabalhistas baseados em mentiras ou pequenos exageros cotidianos, fique ciente: você corre o risco de fechar as portas para as melhores empresas do setor.

As empresas mais organizadas, que possuem departamento de Recursos Humanos estruturado, são justamente aquelas que oferecem os melhores salários, comissões em dia, benefícios, boas condições de trabalho e chance de crescimento. E são exatamente essas empresas que fazem a checagem de antecedentes mais rigorosa.

O conselho de ouro é: lute sempre pelos seus direitos se você foi lesado, mas faça isso com a verdade. A sua reputação no mercado pet vale muito mais do que uma rescisão inflada artificialmente.

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